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FECHANDO O CERCO CONTRA A MEDIOCRIDADE

 

     Escreve-se muito sobre o colapso criativo e artístico vivido pela denominada “Arte Contemporânea”. Nomes de respeito teceram muitas laudas condenando e lamentando os absurdos que se apresentam como obras de arte nos grandes eventos do ramo. Outros nomes, não de menos respeito, as defendem irrestritamente.

 

     Tenho ido por um outro caminho, a partir do que propus no meu livro “Arte, Emoção e Diálogo”.  Entendo, modestamente, que ao invés de combater uma corrente artística, pura e simplesmente, – a hegemônica, no caso específico – devemos aguçar nosso senso crítico e começar a garimpar as coisas boas que surgem por aí. Subtrair tudo o que for proposta medíocre, agressões gratuitas e apelações midiáticas para depositarmos nossa atenção àquelas obras enquadradas na filosofia contemporânea que realmente são geniais. E elas existem!

 

     O caminho é a sublevação do apreciador de arte. É a não aceitação de qualquer coisa. É a formação de um juízo através do seu foro íntimo e não aquele advindo de fora. É a não intimidação pelo que lê e ouve. É, sim,  sentir-se a vontade para exercer o direito de não gostar de muita coisa que os “déspotas” ou “teocráticos” da arte dizem que é bom e não se sentir menos cult por isso. Portanto, o alvo não deve ser  a Arte Contemporânea e, sim, a mediocridade.

 

         Há inúmeros exemplos de boa arte enquadrada na corrente contemporânea. Não deixo de enaltecer quando me ponho frente a algo brilhante neste território obscuro. Para ilustrar este artigo, então, cito o exemplo do jovem artista turco Mehmet Ali Uysal (Mersin – 1976), que teve a idéia de fazer um imenso prendedor de roupa, com o mesmo material dos que conhecemos, de madeira e com a mola de aço, só que ampliado, em perfeita escala, com uma altura de quase vinte metros, “prendendo” o gramado do parque Chaudfontaine, na Bélgica.Técnica artística, genialidade e sensibilidade, provando que nem tudo é roupa suja na Arte Contemporânea.

                                                 Erico Santos

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