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                Está em cartaz no Palácio Real, de Milão, até 04 de fevereiro, a grande mostra "Dentro Caravaggio".  Fiquei quatro dias tentando ver esta exposição, mas a fila era tão grande que acabava desistindo.  Resolvi esperar duas horas na fila, sob um frio intenso, que me rendeu muitos espirros, congestão nasal e tosse. Este estrondoso sucesso de público não é só pelas fantásticas luzes emergindo das sombras, característica deste mestre do realismo dramático,   mas também pela possibilidade de ver "dentro" de cada quadro deste célebre pintor barroco do final do século XVI e início do século XVII.

A mostra é inovadora, porque utiliza modernas técnicas de investigação artística, como radiografia, reflexografia, estratigrafia, fluorescência induzida da radiação UV etc. Tais como nas mais recentes técnicas de investigação forense e no diagnóstico por imagem da medicina, o espectador pode ver e conhecer em detalhes todo o processo pictórico de cada quadro executado. Atrás de cada tela, um monitor vai didaticamente mostrando e desvendando uma série de detalhes escondidos, esboços abandonados, sinalizações técnicas com pincel para as luzes máximas e até incisões que serviam para marcar espaços entre sombra e luz na elaboração final.

                Michelangelo Merisi,  nascido aqui em Milão - o apelido "Caravaggio" é porque se supunha que tivesse nascido em Caravaggio - foi famoso e célebre em vida, mas foi esquecido após a sua morte. Vida conturbada, teve várias passagens pela polícia e acabou sendo condenado à decapitação por ter assassinado um desafeto seu. Após vários anos fugindo de cidade em cidade, acabou morrendo em 1610 com apenas 39 anos de idade. Devido a esta forma de viver e por seus temas bíblicos não agradarem os teólogos, sua pintura foi totalmente esquecida por vários séculos.  Foi redescoberta só em 1951, com uma exposição justamente aqui neste mesmo "Palazzo Reale".

                Para quem gosta de pintura é um momento para apreciar obras maravilhosas e para quem pinta é uma grande oportunidade de saber como o artista iniciava sua tela, qual a cor do fundo aplicado, como fazia os primeiros esboços e como resolvia a obra apenas com a adição de tons cada vez mais claros até a máxima luz, deixando transparecer o  fundo como parte da obra.  Saí do Palácio Real com a sensação de ter assistido Caravaggio iniciar e terminar um quadro. Tudo graças a esta fantástica tecnologia do "Diagnóstico Artístico". Quanto ao diagnóstico médico, foi só um resfriado. Valeu a pena!

                                       Erico Santos

 

COMENTÁRIOS


Nome: Clairsleitão

Data do Comentário: 24/01/2018

Comentário: Bom dia !mestre Érico Santos,li o texto e fiquei imaginando,o quanto se aprende quando temos oportunidade de viajar! Que espetáculo que deve ter assistido! Uma pergunta ? Não deu pra fazer nenhuma foto? Tenho ânsia em aprender !!!A propósito,seu blog é lindo ,suas obras não tenho palavras!!


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